Viva Bem | 24/08/2018

“Osteoporose é aquele tipo de doença que ninguém acha que vai ter”, conta a médica endocrinologista Victoria Borba, diretora do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Mas com o aumento não só da população idosa, como também da longevidade desse grupo, a osteoporose tende a se tornar ainda mais comum.

O problema é caracterizado pela perda de massa óssea e aumenta o risco de fraturas, que podem deixar o paciente de cama, dificultar sua mobilidade e reduzir consideravelmente a qualidade de vida.

A Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) alerta que uma em cada três mulheres com mais de 50 anos vai ter uma fratura relacionada à osteoporose, assim como um em cada cinco homens. Até 2050, a incidência de fratura de quadril, uma das mais comuns por causa da doença, deve aumentar 310% entre os homens e 240% entre as mulheres, se comparada aos índices de 1990.

Entender causas, sintomas e como prevenir a perda de massa óssea é essencial para reduzir o risco de osteoporose. Por isso, respondemos algumas perguntas sobre o assunto.

Homens raramente têm osteoporose?

Como você já viu, isso é um mito. De fato, os homens possuem menor risco de desenvolver a doença em comparação às mulheres, mas não dá para dizer que o problema é raro entre eles. “É comum os homens não se enxergarem como vítimas da osteoporose. Mas não é verdade: 15% dos indivíduos do sexo masculino com mais de 70 anos têm a doença?, alerta a médica endocrinologista Marise Lazaretti Castro, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso).

A osteoporose acomete um homem para cada três a quatro mulheres. Porém, geralmente fraturas de fêmur costumam ter um desfecho pior para eles, com taxa de morte duas vezes maior do que em mulheres.

A osteoporose não tem sintomas?

Quando a dor no corpo é crônica, o mais provável é que a pessoa tenha osteoartrose –desgaste de cartilagem das articulações. A osteoporose praticamente não tem sintomas e costuma passar despercebida. Ela geralmente é detectada em exames de densitometria óssea ou após o paciente sofrer uma fratura. Porém, é importante observar se há dores súbitas ao executar algum movimento ou levantar peso, e ter acompanhamento médico regular –especialmente mulheres após a menopausa.

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Mudanças hormonais que ocorrem na menopausa afetam a manutenção da densidade óssea Imagem: iStock

O problema é mais comum após a menopausa?

Sim, as mudanças hormonais que ocorrem na menopausa costumam afetar o corpo feminino de várias formas, incluindo a dificuldade de manter a densidade óssea. As mulheres tendem a apresentar perda óssea a partir dos 40 ou 50 anos, enquanto para os homens o problema só tende a surgir a partir dos 70.

Beber leite evita a osteoporose?

O leite é uma excelente fonte de cálcio, principal matéria-prima do osso. Em caso de deficiência do nutriente no organismo, o corpo retira o mineral do esqueleto, tornando os ossos mais fracos. O recomendado é que mulheres entre 19 e 50 anos e homens entre 19 e 70 anos consumam 1.000 mg de cálcio por dia (e 1.200 mg após essa idade). E um copo (240 ml) de leite integral tem 295 mg de cálcio.

Contudo, a ingestão de cálcio não garante imunidade à doença, sendo responsável por 40% da prevenção. O histórico familiar é mais importante, já que 70% a 80% da composição óssea é genética. Também não significa que você está livre de risco caso não haja osteoporose na família. Os riscos aumentam conforme a soma de fatores, que são: hereditariedade, consumo de cálcio, nível de vitamina D no organismo, atividade física, tabagismo e uso de medicamentos (como corticoides).

Vegetais substituem totalmente o leite como fonte de cálcio?

Brócolis, couve e espinafre são boas fontes de cálcio. Porém, muitas pessoas não conseguem consumir a quantidade necessária do nutriente tendo somente vegetais como fonte do nutriente. Portanto, se você não possuir restrições, os especialistas recomendam não substituir totalmente o leite e seus derivados –queijo, iogurte, coalhada — por vegetais. Veganos devem buscar reposição ou suplementação de cálcio.

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A exposição ao sol estimula a produção de vitamina D, importante para a absorção de cálcio Imagem: iStock

Vitamina D é importante na prevenção e tratamento da osteoporose?

Sim, a vitamina D é fundamental para a absorção de cálcio pelo organismo. Quando falta vitamina D  no corpo, o cálcio dos ossos é usado para equilibrar o sangue. A insuficiência crônica de vitamina D pode levar à osteoporose.

Vale lembrar que a vitamina D é produzida pela pele quando tomamos sol. Geralmente, expor os braços ou as pernas aos raios solares durante 10 a 20 minutos por dia, sem proteção, garante a quantidade necessária de vitamina D para o corpo.

Exercício ajuda na prevenção da osteoporose?

Atividades físicas de alto impacto –como corrida, futebol, vôlei, tênis — geram uma grande sobrecarga no esqueleto e estimulam a produção de tecido óssea. Por isso, ajudam a prevenir a osteoporose. A prática regular de exercícios deve ser iniciada durante a formação e desenvolvimento do corpo, ou seja, na infância e adolescência, e seguir por toda a vida.

E é um erro achar que pessoas com osteoporose devem interromper a atividade física devido ao risco de quebrar um osso. Nesse caso, o exercício vai não só ajudar na manutenção do esqueleto, como também desenvolver força e equilíbrio, reduzindo o risco de quedas –que geralmente levam a uma fratura. Lembre-se que o acompanhamento de um educador físico é indispensável para determinar a modalidade e a intensidade ideal de treino.

É normal ter fraturas na terceira idade?

Fraturas não são normais em nenhuma idade. Se há fratura de fêmur –a mais comum em casos de osteoporose — é preciso investigar a fragilidade óssea. Perder altura também não é normal. Até pode ser consequência de má postura, mas vale investigar, pois tende a ser um indicativo de perda de massa óssea.

Fontes: Marise Lazaretti Castro, médica endocrinologista e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso); Victoria Borba, médica endocrinologista e diretora do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM); Roberto Rached, médico fisiatra e especialista em dores e reabilitação do Hospital das Clínicas de São Paulo; e Fundação Internacional de Osteoporose (International Osteoporosis Foundation – IOF).